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Você sabia que o lodo de estação de tratamento de água (LETA) possui potencial agrícola?

Atualizado: 24 de out. de 2023

Por: Ivan dos Santos Pereira e Moisés Antônio Benvegnú


Os LETAs são resíduos sólidos gerados continuamente pelas companhias de saneamento, em estações de tratamento de água que abastecem grande parte das residências que possuem água tratada. A partir da separação de sedimentos formados por partículas minerais e orgânicas presentes na água bruta coletada nos pontos de captação hídrica (rios, lagoas, barragens, poços etc.), e após passar pelo processo de desidratação ou desaguamento, as estações geram os lodos, um material pastoso, composto por cerca de 75% de água e 25% de sólidos.


A parte sólida do LETA possui características químicas muito similares ao solo das regiões de captação da água bruta. Com o acréscimo na concentração de alguns elementos presentes nos produtos utilizados no processo de tratamento da água (ex: alumínio do sulfato de alumínio).


Estima-se que no Brasil são geradas mais de 500.000 toneladas em base massa seca desse resíduo, o qual, segue principalmente para aterros sanitários, onde acaba sendo inutilizado ao ser misturado com outros resíduos sólidos dispostos no mesmo local, causando elevados custos ambientais e econômicos de destinação, sem possibilidade de reaproveitamento. Uma pequena parte, pouco significativa, também é encaminhada às empresas de compostagem, destino mais nobre, porém, de alto custo.


Viabilidade técnica


A viabilidade técnica do uso agrícola do LETA pode ser verificada em diversos trabalhos na literatura. Neste sentido, trouxemos o exemplo do artigo publicado por Ribeiro et al. (2022) na respeitada revista Geoderma, intitulado “Water treatment residuals for ameliorating sandy soils: Implications in environmental, soil and plant growth parameters”. Os autores avaliaram doses de até 60 toneladas por hectare de LETA seco e com pH corrigido em solo arenoso.

O trabalho indica que a aplicação do LETA, após correção do pH, proporciona benefícios agronômicos, tais como, o aumento do teor de partículas finas e reativas (argila e silte), que proporcionam melhorias físicas e na estrutura do solo; e incremento da produção com doses de até 30 toneladas por hectares de LETA.


Do ponto de vista ambiental, o LETA não aumentou a saturação de alumínio (parâmetro que causa toxidez às plantas), assim como, não influenciou os teores de contaminantes orgânicos e inorgânicos, que permaneceram abaixo dos limites indicados pela legislação.


Por fim, a principal conclusão do trabalho foi de que o LETA após a correção do pH torna-se um material seguro e adequado para aplicação em solos agrícolas arenosos e ácidos.


Manejo sustentável dos LETAs


A destinação final adequada dos LETAs tem sido um desafio mundial. Uma das principais alternativas é a disposição em aterro. Outra possibilidade é o lançamento em corpos d'água, que é proibido na maioria dos países. Porém, essas são alternativas caras e nada sustentáveis.


Desta forma, o uso agrícola surge como a principal estratégia de destinação sustentável do LETA, que além de evitar danos ambientais em corpos d’água e solos, aproveita o seu potencial agronômico para a melhoria de propriedades químicas e físicas do solo, promovendo o aumento da produção das culturas.


Legislação inovadora


Para orientar o uso agrícola do LETA no Estado do Rio Grande do Sul, o Conselho Estadual do Meio Ambiente publicou a Resolução CONSEMA 461/2022, que define os critérios e procedimentos para o uso de lodos gerados em estações de tratamento de água (LETAs) e seus produtos derivados em solos.


Trata-se de uma legislação inovadora tanto em nível de Brasil quanto de mundo, que promove a sustentabilidade na gestão de um dos principais resíduos gerados pela população mundial.


A legislação foi resultado do Projeto “Pesquisa e desenvolvimento do potencial do uso agrícola de lodos de estações de tratamento de água e de esgoto”, desenvolvido em parceria entre Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan e Embrapa Clima Temperado.


Os autores


Os autores fizeram parte da equipe do Projeto “Pesquisa e desenvolvimento do potencial do uso agrícola de lodos de estações de tratamento de água e de esgoto” e da elaboração da Resolução CONSEMA 461/2022.


Ivan dos Santos Pereira (Engenheiro Agrônomo, Dr.) - Atuou como pesquisador nos trabalhos técnicos de pesquisa e participou da elaboração da proposta de minuta.


Moisés Antônio Benvegnú (Engenheiro Químico) – atuou como fiscal do projeto, na elaboração da proposta de minuta encaminhada para o Consema e como coordenador do grupo de trabalho interno de câmara técnica do Consema.


BIBLIOGRAFIA E LINKS RELACIONADOS



Embrapa/Notícias - Ciência ajuda a aproveitar lodo de tratamento de água na agricultura. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Maio de 2023.


Ribeiro, P.L.; Bamberg, A.L.; Pereira, I.S.; Monteiro, A.B.; M.L.; Lima, C.L.R. Water treatment residuals for ameliorating sandy soils: Implications in environmental, soil and plant growth parameters. Geoderma, v.407, 2022.


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Consultoria em Redução de Custos e Reúso Agrícola de Lodos

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