Espuma em Chorume de Aterro Sanitário: Causas, Problemas e Soluções

O chorume (lixiviado) é formado pela decomposição dos resíduos e pela infiltração de chuva nos aterros sanitários. É um efluente complexo e variável, com alta carga orgânica, nitrogênio amoniacal e surfactantes, e a espuma é um dos transtornos mais recorrentes nas ETEs que o tratam, comprometendo a eficiência do tratamento.

ONDE A ESPUMA APARECE
A espuma surge principalmente nas etapas que possuem agitação ou aeração: equalização, lodos ativados, SBR, MBR, MBBR, lagoas aeradas, digestores anaeróbios, entre outros. A ocorrência depende da composição do chorume e das condições operacionais.
CAUSAS
- Espuma química: surfactantes (detergentes), ácidos graxos, proteínas, óleos e substâncias húmicas reduzem a tensão superficial do líquido e estabilizam as bolhas de ar; é frágil e se dispersa com facilidade.
- Espuma biológica: bactérias filamentosas hidrofóbicas aderem às bolhas e formam camada espessa e persistente, favorecida por baixa relação F/M, deficiência de fósforo e idade do lodo elevada.
- A aeração intensa fornece o ar que sustenta as bolhas.
PROBLEMAS
- Redução da transferência de oxigênio, prejudicando a degradação da matéria orgânica e a nitrificação, com maior consumo de energia.
- Arraste de sólidos e perda de biomassa, com queda na eficiência de remoção de DQO e nitrogênio e piora do efluente final.
- Transbordamento de tanques, com riscos de queda, contato ocupacional e odores.
- Obstrução de sensores, tubulações e difusores, elevando custos de limpeza e manutenção.
- Em MBR, acelera a incrustação (fouling) das membranas; em digestores, danifica equipamentos e reduz a produção de biogás.
SOLUÇÕES
- Diagnóstico: distinguir a espuma química da biológica por microscopia do lodo, verificando F/M, oxigênio dissolvido, nutrientes e idade do lodo.
- Controle operacional: ajustar a idade do lodo (descarte de excedente), corrigir nutrientes, evitar choques de carga e controlar a aeração.
- Medidas físicas: remoção superficial, aspersão de água e quebra-espumas mecânicos.
- Antiespumante: alternativa mais usada para abatimento rápido. É recomendado utilizar produtos de empresas que fornecem suporte para a escolha do tipo de antiespumante mais adequado e otimização de dosagem.
- Monitoramento contínuo da espuma e dos parâmetros operacionais, tratando a causa e não apenas o sintoma.
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