Sanepar abre nova fronteira de negócios ao comercializar água de reúso para a indústria

O novo projeto visa atender setores com alta demanda hídrica — como siderúrgicas, madeireiras, fabricantes de fertilizantes e usinas termelétricas —, onde o recurso é utilizado para o resfriamento de caldeiras e máquinas.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná (AEN), editoria Sanepar . Data de publicação: 22/10/2026, às 11:26.
A parceria firmada
A Companhia de Saneamento do Paraná passou a atuar em um mercado até então fora do seu escopo comercial: a destinação e a venda de água originada nas estações de tratamento de esgoto para aplicações industriais. O projeto foi oficializado na quarta-feira, 21 de outubro, com a assinatura de uma parceria com a empresa GS Inima, anunciada pela companhia como uma frente que reúne inovação, sustentabilidade e geração de novas receitas.
Qualidade da água e uso previsto
Segundo o texto, a água obtida ao final do processo de tratamento de esgoto atende aos parâmetros ambientais exigidos e, em muitos casos, retorna à natureza com qualidade superior à do rio que a recebe — mas não é potável. A Sanepar já a utiliza internamente, na limpeza de suas unidades operacionais, e a comercialização amplia esse aproveitamento para setores de alta demanda hídrica: siderúrgicas, madeireiras, fabricantes de fertilizantes e usinas termelétricas, onde o insumo serve ao resfriamento de caldeiras e máquinas.
Economia circular e segurança hídrica
Para o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, a iniciativa consolida a transição da empresa para um modelo de economia circular em que o efluente deixa de ser apenas resíduo e passa a integrar o portfólio de ativos. "Queremos aplicar nossa estrutura e experiência para desenvolver, junto a um operador especializado, soluções de reúso e saneamento industrial adaptadas a cada região, ampliando a nossa contribuição tanto para a competitividade da indústria quanto para a segurança hídrica do Estado", afirmou. Além da receita recorrente, a companhia aponta dois efeitos: ganho de eficiência nas plantas industriais e preservação de mananciais potáveis para consumo humano.
Como o parceiro foi escolhido
A GS Inima, descrita como especializada em soluções hídricas avançadas, venceu o edital de seleção. O escopo abrange da análise de viabilidade técnica e econômica à mitigação de riscos e à modelagem de arranjos comerciais ajustados a cada região, com atuação conjunta na mobilização e implantação da infraestrutura.
O diretor de Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden, explicou que a avaliação é feita de forma integrada, considerando as necessidades da indústria e os aspectos técnicos, econômicos e ambientais. Segundo ele, o objetivo é estruturar soluções que aliem sustentabilidade e competitividade no fornecimento de água, e essa infraestrutura hídrica tende a fortalecer empresas já instaladas no Paraná e a funcionar como diferencial na atração de novos investimentos.
Pela GS Inima, o diretor de Novos Negócios no Brasil, Eduardo Pedroza, destacou que a integração cria vantagem competitiva ao transformar efluentes em novos recursos hídricos, reduzir a pressão sobre os mananciais e reforçar a segurança hídrica industrial. O plano de atuação prevê quatro polos industriais prioritários — não nomeados na reportagem — e estruturação dos primeiros projetos e acordos com indústrias. O cronograma, segundo ele, prevê o detalhamento de engenharia para atender clientes industriais, a implantação de um projeto-piloto e, na sequência, a expansão das soluções nos polos prioritários.
Regulação aplicada
O uso de água de reúso de origem sanitária ou industrial para fins urbanos, agrícolas, florestais, ambientais e industriais no Paraná segue diretrizes do Instituto de Água e Terra (IAT). A reportagem afirma que a parceria atende às normas previstas em lei.

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