Efluente de Cervejaria - Tratamentos e Recuperação de Recursos
- Moisés Antônio Benvegnú

- há 2 horas
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A produção de cerveja é uma atividade intensiva no uso de recursos hídricos. Estima-se que, para cada litro de bebida envasada, sejam necessários entre 3 a 10 litros de água, dependendo da eficiência da planta.
A maior parte desse volume não compõe o produto final, mas transforma-se em efluente industrial, proveniente majoritariamente das etapas de lavagem de garrafas, limpeza de equipamentos e resfriamento. Entender esse ciclo é o primeiro passo para transformar um passivo ambiental em ativo energético.
CARACTERÍSTICAS E IMPACTO AMBIENTAL
O efluente de cervejaria distingue-se por sua elevada carga orgânica biodegradável. A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) pode chegar próximo a 4.000 mg/L, impulsionados pela presença de açúcares, álcool solúvel e restos de levedura.
Além disso, o efluente apresenta alta concentração de sólidos suspensos e variações bruscas de pH, oscilando de ácido a alcalino devido ao uso de soda cáustica e ácidos na limpeza das linhas.
Se descartado sem o devido tratamento, esse despejo consome rapidamente o oxigênio dissolvido nos corpos d'água receptores, causando a morte da fauna aquática e desequilíbrios severos, como a eutrofização. A presença de Nitrogênio e Fósforo, oriundos das matérias-primas agrícolas (malte e lúpulo), agrava esse cenário.
PROCESSOS DE TRATAMENTO NA ETE
Os processos geralmente utilizados em uma (ETE) cervejeira incluem:
1. Tratamento Preliminar e Equalização: Etapa física para remoção de sólidos grosseiros (rótulos, vidros, grãos) e, fundamentalmente, a neutralização do pH e amortecimento de picos de vazão em um tanque de equalização.
2. Tratamento Físico-Químico: Esta etapa, quando utilizada, situa-se geralmente antes do tratamento biológico (para remover sólidos) ou após (para polimento final). Os processos mais utilizados são a coagulação e floculação, seguidas por flotação (DAF), reduzindo drasticamente a carga de Sólidos Suspensos (SST) e óleos/graxas.
3. Tratamento Biológico (Anaeróbio/Aeróbio): Inicialmente ocorre a conversão de parte da matéria orgânica em biogás, em processos anaeróbios (sem oxigênio), como reatores UASB, com a possibilidade de aproveitamento energético do gás. Na sequência, o efluente é encaminhado para processos aeróbios, como lodos ativados, para remoção complementar da carga orgânica e parte dos nutrientes.
A visão moderna de engenharia enxerga a ETE como uma unidade de recuperação de recursos. O efluente da fabricação de cerveja possui potencial para geração de biogás nos reatores anaeróbios (tanto do efluente como do lodo). O lodo gerado pode ser aproveitado na agricultura após estabilização e desidratação adequada. E a água tratada pode ainda ser reusada para diversas finalidades, reduzindo o consumo de água da fábrica.
Assista ao vídeo abaixo:
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