Raio-X da ETE: Guia Definitivo de Remoção de Contaminantes
- 12 de fev.
- 3 min de leitura

Tratar efluentes é uma batalha estratégica contra contaminantes que desequilibram o ecossistema ou causam problemas à saúde. Para operadores e engenheiros, entender o "alvo" é o primeiro passo para acertar a tecnologia de tratamento.
A seguir, apresentamos uma análise técnica estruturada sobre os principais parâmetros de qualidade da água que exigem controle em Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs).
1. Sólidos (Suspensos e Sedimentáveis)
Impacto: Causam turbidez, impedem a penetração da luz solar (afetando a fotossíntese) e geram bancos de lodo nos corpos hídricos, afetando a biota de fundo.
Monitoramento: Sólidos Suspensos Totais (SST) e Sólidos Sedimentáveis (Cone Imhoff).
Etapa e Processos de Remoção:
Preliminar: Gradeamento e peneiras (sólidos grosseiros), e Desarenadores (areia).
Primária: Decantadores Primários ou Flotação por Ar Dissolvido - DAF (lodo primário).
Terciária: Filtração em areia ou membranas para polimento final.
2. Óleos e Gorduras (O&G)
Impacto: Formam filmes superficiais que bloqueiam a troca gasosa entre ar e água, além de entupir tubulações e prejudicar o funcionamento biológico dos flocos bacterianos.
Monitoramento: Teor de Óleos e Graxas (extração por solvente).
Etapa e Processos de Remoção:
Preliminar/Primária: Caixas de gordura (separação gravitacional) e Flotação por Ar Dissolvido (DAF), onde microbolhas arrastam a gordura para a superfície.
3. Matéria Orgânica (Carbonácea)
Impacto: Seu consumo por bactérias no rio reduz o Oxigênio Dissolvido (OD), levando à morte de peixes e à geração de maus odores (condições sépticas).
Monitoramento: Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO).
Etapa e Processos de Remoção:
Secundária (Biológica): Processos aeróbios (Lodos Ativados, MBBR, MBR, Filtros Biológicos) ou anaeróbios (Reatores UASB). As bactérias consomem os compostos orgânicos, e os convertem em biomassa (lodo) e CO₂/Metano. Outros processos utilizados são as lagoas de estabilização e os wetlands construídos.
4. Nutrientes (Nitrogênio e Fósforo)
Impacto: Estimulam o crescimento excessivo de algas, acarretando em diversos problemas no corpo hídrico, como: diminuição do OD da água, liberação de substâncias que causam gosto e odor, liberação de toxinas, entre outros.
Monitoramento: Nitrogênio Amoniacal, Nitrogênio Total Kjeldahl - NTK, Nitritos e Nitratos, e Fósforo Total.
Etapa e Processos de Remoção:
Biológica: Zonas anóxicas (desnitrificação) e anaeróbias (remoção de fósforo).
Química: Precipitação de fósforo com sais metálicos (cloreto férrico, PAC ou sulfato de alumínio), seguida de Decantação ou Flotação.
5. Organismos Patogênicos
Impacto: Transmissão de doenças de veiculação hídrica (cólera, tifo, hepatite, gastroenterites) à população que utiliza o corpo receptor.
Monitoramento: Escherichia coli (E. coli) e Coliformes Termotolerantes.
Etapa e Processos de Remoção:
Final/Terciária: Desinfecção via oxidação química (Cloração, Ozônio, Ácido Peracético) ou Radiação Ultravioleta (UV). Lagoas de maturação também são efetivas pelo tempo de detenção e insolação.
6. Metais Pesados (ex: Mercúrio, Chumbo, Cádmio, Cromo)
Impacto: Tóxicos, não biodegradáveis e bioacumulativos. Entram na cadeia alimentar e causam danos neurológicos e fisiológicos graves.
Monitoramento: Espectrometria (ICP-MS, ICP-OES e Absorção Atômica). Permite detectar concentrações muito baixas.
Etapa e Processos de Remoção:
Físico-Química: Precipitação química (elevação do pH para formar hidróxidos metálicos insolúveis) seguida de decantação ou filtração.
Polimento: Troca iônica ou Osmose Reversa.
7. Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), como hidrocarbonetos e trihalometanos (THMs)
Impacto: Devido à sua alta volatilidade, estes compostos podem desprender-se do efluente para a atmosfera, gerando odores ofensivos e riscos respiratórios aos operadores (muitos são cancerígenos, como o Benzeno). No corpo hídrico, apresentam toxicidade aguda e crônica para a vida aquática, mesmo em baixas concentrações.
Monitoramento: Cromatografia Gasosa (GC-MS ou GC-FID).
Etapa e Processos de Remoção:
Físico-Química (Transferência): Air Stripping (arraste com ar em torres de recheio), transferindo o contaminante da água para o ar (que deve ser tratado posteriormente).
Polimento: Adsorção em Carvão Ativado (granular ou em pó), onde os COVs ficam retidos na superfície porosa do carvão.
Destruição: Processos Oxidativos Avançados (POA) utilizando Ozônio e Peróxido de Hidrogênio.
8. pH
Nota: Parâmetro de correção, não contaminante direto.
Impacto: Valores extremos corroem estruturas e afetam a vida aquática. O pH inadequado também inibe a ação das bactérias no tratamento biológico.
Monitoramento: Medidor de pH (potenciômetro).
Ajuste:
Entrada ou Saída: Neutralização. Adição de álcalis (cal, soda cáustica) para elevar o pH, e ácidos (sulfúrico, clorídrico) ou CO₂ para reduzi-lo, garantindo faixa entre 5 e 9 para lançamento.
Nas imagens abaixo, o conteúdo foi desenhado para facilitar a consulta visual, abordando impacto ambiental, monitoramento e tecnologias de remoção. Salve este material e compartilhe com seus colegas que trabalham em ETEs.
Cada efluente tem um desafio único. A Linsul Indústria e Soluções Ambientais une tecnologia e suporte técnico para garantir que sua ETE opere com máxima eficiência e custo otimizado. Entre em contato para saber mais: linsul.com.br




















Comentários